O Colapso de uma República
I - A movimentação inicial das tropas do General Mourão Filho, ainda que sem um movimento de ação total de toda a cúpula conspiradora, mas que a medida que a organização da resistência por parte do presidente João Goulart se perdia gradualmente, os golpistas conseguiam, pouco a pouco, a destruição da experiência democrática empreendida duas décadas antes. Em contrapartida, as movimentações dos grupos sociais de oposição, sofriam uma derrota ultrajante nas suas expectativas que, desde a "conquista" da posse de Jango no Plebiscito, vinham num crescendo em relação as Reformas de Base;
II - A conjuntura que se abriria com a renúnica de Quadros e a articulação golpista no sentido de tentar barrar a posse de Jango desembocou na mobilização empreendida por Leonel Brizola - a Rede da Legalidade - que tendo em vista garantir o cumprimento Constitucional, e assegurar a posse de Jango - se transfigurou no principal movimento de oposição à articulação golpista em 1961. No entanto, a análise de que o êxito desta campanha se justificou a medida que ele se pautava em garantir a ordem constitucional frente ao ataque dos setores conservadores;
III - A partir desta "vitória" os movimentos sociais intensificaram a sua campanha pela realização das reformas de base. Segundo Reis, calculando mal as condições que os fizeram ter sucesso na Campanha da Legalidade. Reis aponta que a euforia da vitória tenha "cegado" esses movimentos, fazendo com as suas posições se radicalizassem cada vez mais. O grande número de greves e as constantes crises no governo federal fizeram os golpistas de 61 se colocarem na defensiva, temendo que caso as reformas fossem levadas a frente, as sérias transformações pelas quais poderia passar a estrutura social brasileira.Toda uma mobilização dos setores liberais, eclesiais e militares adotavam uma postura anticomunista como forma de barrar a "República Sindicalista" para qual o Brasil estava caminhando.
IV - Depois de reaver os seus poderes presidenciais, Goulart viu naufragar o seu Plano Trienal. No primeiro de um série de comícios que serviriam como forma de pressionar o Congresso Nacional a aprovar as Reformas de Base, cruzou o limite a linha média vacilante a qual adotara até então.
V - Ao sucesso do primeiro comício pelas reformas, a reação dos setores conservadores veio com a realização da "Marcha da Família com Deus pela Liberdade". O desfecho viria com a participação de Goulart em dois eventos reunindos subalternos das forças armadas. O que viria a ser o seu ultimo discurso numa reunião de sargentos da PM no Rio, foi o estopim do movimento de 31 de março de 1964.
Colapso do Populismo
I - A base do grupo golpista, em si era bastante heterogênea, por vezes divergiam em seus interesses de grupo. Mas tinham uma coisa em comum: a aversão ao protagonismo crescente que os movimentos sociais vinham adquirindo na participação das decisões dos destinos políticos do Brasil. Esse protagonismo de fato representava uma ameaça aos privilégios que estes setores conservadores e dominantes detinham, o que era fortalecido pelo "trabalhismo" em desenvolvimento constante no cenário político da época. Era primeiro preciso combater esse mal, do "trabalhismo" fez-se o "populismo", e o golpe civil militar veio encerrar esta prática nefasta, utilizada desde Vargas. As analises que se seguiram, apontaram este golpe como o Colapso do Populismo;
II - Reis faz uma análise da obra o "O colapso do Populismo" de Octávio Ianni, passando pela identificação, apogeu e crise do Populismo, a caracterização do espaço onde se manifestou e os seus desdobramentos. Reis por vezes chama a atenção para a análise de Ianni, onde este último aponta para a falta de consciência de classe dos trabalhadores e de como estes foram apenas marionetes dentro das disputas da esfera política. Chama atenção também para o "atraso" dessa classe no desenvolvimento da classe trabalhadora brasileira. Em consequência faz uma análise de como o PCB falhou em não conseguir se fazer ouvir pelas classes trabalhadoras não conseguindo construir uma política revolucionária, e como o seu erro de avaliação do momento histórico, levou a inevitabilidade do golpe militar;
Francisco Weffort e o Colapso da Teoria
Análise das teses de Franciso Weffort sobre a atuação das esquerdas e sua aproximação com a democracia populista. Weffort também daria enfâse ao "atraso" que marca a tradição da formação da consciência da classe operária brasileira.
Herança maldita
Critica sobre as interpretações que não se baseiam numa analise da formação histórica das tradições trabalhista e comunista. Tendendo sempre a considerar os processos a partir de um "marco zero" sem no entanto problematizar e perceber os traços residuais que as tradições de formação exercem sobre as atuais conjunturas.